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Pequena / Grande História

Há algum tempo, recebi, entre centenas de outros, um e-mail com uma historinha, que li, gostei e arquivei. Dizia, ao que me lembro, o seguinte:

Era uma vez um viajante comercial que chegou a uma pequena cidade para exercer sua profissão de oferecer mercadorias ao comércio local. Dirigiu-se, por primeiro,  ao hotel, a fim de reservar sua acomodação.

Lá pediu ao já conhecido “seu” Zé da pensão, que lhe reservasse um quarto, pois deveria passar a noite na cidade. Foi atendido, de pronto, e já pagou, pela reserva, a quantia de R$100,00.

Terminado seu trabalho, após visitar todos os clientes, deu-se conta de que poderia, ainda naquela tarde, regressar no ônibus das seis. Voltou ao hotel, informou sua disposição de não permanecer, e recebeu de volta os R$100,00 da reserva.

Diz a historinha que o proprietário da hospedaria, após receber os R$100,00 do viajante, bem depressa foi ao açougue e comprou a carne do dia com o valor recebido. De posse da quantia, o açougueiro foi ao bar da esquina e, com a moeda, abateu sua dívida ali posta em conta-corrente. O proprietário do bar devia quantia parecida à senhora dona Marisa, que lhe fornecia empadas para revenda. Pagou-a. Dona Marisa foi ao armazém e, com a mesma moeda, quitou sua conta relativa ao trigo que ainda devia. Finalmente – e aí acaba a história – o dono do armazém, com tal valor, quitou sua conta de luz, até antes do vencimento.

Engraçado, né? Não é apenas engraçado. É uma belíssima história do tradicional sistema de crédito – sistema de alta relevância no contexto da economia de uma cidade ou de um país. Quando o governo incentiva o crédito e se põe contra as altas taxas bancárias em seus empréstimos, está lutando pelo incremento de uma profícua e compensadora modalidade financeira, altamente necessária ao desenvolvimento da economia nacional.

Quase sempre, nossa percepção é a de que o tomador de um empréstimo bancário – pessoa física ou jurídica – se enriquece, colocando no banco, ou no bolso, cem mil reais ou um milhão que lhes foram concedidos pelo prazo de quatro ou seis meses.

Se o tomador é uma pessoa jurídica, firma comercial, industrial ou de serviços, no mesmo dia ou na mesma semana, passa a quantia recebida aos seus diversos fornecedores, quita suas dívidas, e a moeda recebida se pulveriza e favorece incontáveis outras empresas de que compra ou às quais deve. Se é uma pessoa física, seu intento, ao conseguir um crédito bancário será normalmente destinado ao consumo de uma ou mais mercadorias, para a satisfação de seus melhores desejos.

De igual forma, dispondo o tomador da quantia recebida, ganhará o dinheiro o caminho dos R$100,00 do viajante. Este, ao entregar tal valor ao hoteleiro, fez-lhe um empréstimo, ainda que por um dia, ou melhor, por algumas horas de prazo.

A historinha do e-mail é uma aula de economia. O crédito bancário, por norma, se faz não ao tomador do empréstimo, mas à sociedade, pois, tecnicamente, compartilha com ela, quase de forma imediata, comprando no comércio, na indústria, ou pagando serviços de toda a comunidade. Os bancos não são mais que o hoteleiro, o “seu” Zé da pensão, só que cobram caríssimos juros pela simples reserva de um quarto!

 Feiz Bahmed

                                                                dezembro/2012