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Depósito Compulsório dos bancos

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Há uma clara desinformação do público sobre o que motiva o Banco Central a recolher do sistema bancário, mensalmente, o chamado “Depósito Compulsório”. Desinformação tão consolidada que atinge parte da mídia, notadamente a importante revista Veja, que, por si e por seus colunistas, entende que tais recursos subtraídos aos bancos, se a estes devolvidos, poderiam eles ampliar o crédito e, assim, minimizar suas absurdas taxas de empréstimos. Tal raciocínio é, em parte – e apenas em parte –, verdadeiro.

    Ignora-se, entretanto, que o objetivo fundamental de tais recolhimentos feitos pelo Banco Central é conter a multiplicação da moeda – controlar o fluxo inflacionário do país – evitando a inflação, monstro que, no passado, levou a economia brasileira ao caos. A tal ponto que nos sujeitou, por tempos, a uma ingerência permanente do FMI, em face do descontrole econômico que por aqui vigia.

    É simples explicar a necessidade de o BC retirar parte dos depósitos bancários, evitando, com isso, um multiplicador monetário que ampliaria em demasia os recursos financeiros correntes – semente da inflação.

    É sabido que a moeda circulante de um país é a soma do dinheiro existente com o valor dos depósitos bancários à vista. Somatório, assim, da moeda papel mais os depósitos bancários, chamados estes moeda escritural. O exemplo adiante ilumina o problema.
    Admitamos que em um país imaginário tenha alguém (A) que possua R$1.000,00 e seja essa moeda o valor total da economia local. (A) deposita em banco essa quantia. Atendendo à sua função principal, o banco empresta a outra pessoa (B) o valor recebido; empréstimo que naturalmente é posto em depósito, no mesmo banco, em conta corrente de (B).

    Completa assim o banco depósitos à vista de R$2.000,00, o que o habilita a emprestar igual quantia a um terceiro (C), valor  este igualmente depositado em conta corrente desse tomador. Os depósitos de tal banco somariam, então, R$4.000,00. Um novo empréstimo desse último valor (R$4.000,00) colocaria o Banco com um total de R$8.000,00 em moeda escritural.

    Veja-se que a moeda circulante da fictícia comunidade, que era, antes, de R$1.000,00, agora soma R$8.000,00. Essa multiplicação é ilimitada, já que os bancos podem, em tese, emprestar o total dos recursos captados do público. Cria-se, assim, um vultoso aumento da moeda corrente do país, e esse excesso monetário ganha o nome de inflação.

    O depósito compulsório, retirando em torno de 40% a 50% dos depósitos bancários, regula a quantidade da moeda em curso, controlando a inflação (excesso de moeda), o poder de compra e a liquidez da moeda. Aqueles que assistiram ao desconforto do período inflacionário no Brasil com maior facilidade aceitam o processo.

    Vale ressaltar que um reverso pode existir e várias vezes acontece. Em havendo uma retração monetária na comunidade, pode o Banco Central, como já o faz, reduzir o percentual do compulsório, aumentando, assim, o volume da moeda circulante. Isso implica retornar à normalidade do consumo e do emprego, o que resulta, aí sim, em um crescimento da economia do país, aqui exemplificado como uma singela comunidade.

    É o caso do valor dos depósitos equivalentes ao total do crédito destinado ao setor rural. Tais depósitos são, de regra, totalmente isentos de qualquer empréstimo compulsório ao Banco Central. Não só nesse segmento, mas igualmente em outras atividades altamente necessárias ao país e/ou à comunidade, das quais, como exceção, o BC dispensa o compulsório, aumentando a disponibilidade dos bancos que, dessa forma, ampliam os empréstimos, ainda que com taxas um tanto reduzidas.

    Ao Nordeste brasileiro, o Banco Central dispensa qualquer recolhimento compulsório, de forma permanente, ou quando, a seu critério, isso se justifica pela carência de crédito naquela região.

    Todos os países capitalistas do mundo assim procedem. A crise de 2008, nos Estados Unidos, é um exemplo de semelhante favorecimento à comunidade, o que se fez, não por maior disponibilidade de moeda, mas por uma exagerada diminuição na taxa de juros bancários para o setor imobiliário. Entretanto, errou na dose, o que levou o mercado a grande inadimplência e, dessa, à crise daquele ano, da qual ainda até agora guarda resquícios.



                                                                                                                               Post Jun/2012 - Feiz Bahmed