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O Valente Winston Churchill

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Filho de Lord Randolph Churchill e de sua mulher americana Jennie Jerome, Sir Winston Leonard Spencer-Churchill nasceu no Palácio de Blenheim, no Oxfordshire, em 30 de novembro de 1874, e morreu em Londres em 24 de janeiro de 1965. Primeiro-ministro britânico, de 1940 a 1945, foi quem dirigiu a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial.

Quando ainda jovem, ingressou no curso da Academia Militar de Sandhurst, servindo como oficial subalterno por quatro anos. Após, foi correspondente de guerra em Cuba e na Índia.

Desse primeiro estágio de vida, Churchill partiu para crescer como jornalista e escritor – dono do Prêmio Nobel de Literatura em 1953 –, como estadista, orador aprimorado e, principalmente, como Primeiro-ministro da Inglaterra, nomeado quando a Europa já fervia no estouro da segunda grande guerra e Hitler já planejava seu avanço sobre a Ilha, na conhecida Batalha da Inglaterra.
A constante presença de Winston Churchill na mídia inglesa e internacional, secundada, após, pelos seis volumes de sua obra mais famosa, denominada “The Second World War”, conta fatos notáveis de sua vida à frente da maior guerra do século XX.

OS SEGREDOS DO REICH


Como Primeiro-ministro, Winston Churchill acomodou-se em uma modesta residência no centro de Londres, longe dos castelos e dos palácios de sua infância e juventude. E foi em tal residência que, um dia, o chefe do Serviço Secreto Inglês levou-lhe uma auspiciosa notícia: um de seus agentes conseguira decifrar a secreta mensagem alemã, tida como de altíssimas confidenciabilidade e complexidade. Tratava-se de mensagens datilografadas em máquina comum, cujo teclado tivera todas as fontes mudadas – o “a” foi posto no lugar da tecla “p”; o “p” tornou-se a tecla “n” etc. etc. Para maior segurança, as mensagens secretas do Reich ainda eram escritas em língua morta ou rara (nunca denunciada), dificultando, ao máximo, a leitura dos textos.

De imediato, teria Churchill chamado o agente que conseguira a tradução das mensagens secretas e, segundo se sabe, na presença do Chefe do Serviço, declarou:

– São dois, do Serviço Secreto, os conhecedores das mensagens secretas alemãs: o Senhor Chefe do Serviço e o agente X, que será liberalmente gratificado. Porém, se houver uma só outra pessoa que venha a conhecer o sigilo, ambos serão fuzilados.

Churchill, porém, não imaginava os conflitos que desencadearia, quando, algum tempo depois, através das mensagens cifradas, teve ele conhecimento antecipado de que a Luftwaffe (aviação de guerra alemã), em dia e hora marcados, iria despejar toneladas de bombas sobre Londres, nos famosos ataques denominados Blitzkrieg.

Poderia avisar à gente londrina que viria sobre a cidade um bombardeio alemão, o que levaria, com certeza, a população a se esconder, esvaziar as ruas, ocultar os automóveis, entrar nos abrigos e no terrível silêncio do medo. Tal medida, por certo, evitaria centenas de mortes e milhares de feridos! Porém, a Luftwaffe, ao perceber o esvaziamento prévio da cidade, deduziria, por lógica elementar, que a população fora avisada. E, em assim sendo, certamente trocaria o segredo de suas mensagens.

Para que pudesse conservar a vantajosa possibilidade da tradução das comunicações alemãs, Churchill, embora conhecendo, a priori, os frequentes bombardeios a vários pontos do Império, nunca os denunciou a seu povo. Como numa cirurgia médica – feria sua gente para, ao final, salvá-la.

O PRIMEIRO DISCURSO DE CHURCHILL

Quando da Primeira Guerra Mundial, Winston Churchill, tornando-se político, foi conduzido à Câmara dos Comuns, como o primeiro lorde do almirantado. Cabia-lhe, segundo a praxe, traduzir para seus pares, num primeiro discurso na Câmara, seu pensamento de cidadão e de político.

Como iniciante na carreira parlamentar, foi chamado por seu pai, Lord Randolph, e dele escutou conselhos sobre como conviria portar-se em tal ensejo. De forma especial, dele recebeu a recomendação de reportar-se a um dos lordes atuantes na Câmara, amigo íntimo de seu pai, a quem ele poderia recorrer em seus procedimentos, dúvidas e decisões.

Em sua estreia na tribuna da Câmara dos Comuns, Churchill, pelo brilho com que se houve, fez, sem que percebesse, o anúncio do talentoso orador que seria ali, profundo conhecedor da linguagem e magnífico expositor de seu pensamento. Logo finda sua fala, correu ao amigo de seu pai, a fim de ter dele a palavra sincera de que precisava naquele instante, e que, de certa forma, marcaria o provável grau de sua performance naquela nobre tribuna. Seu conselheiro, a despeito de elogiar-lhe a atuação de perito orador, entrou a recomendar:

– Meu colega e meu amigo, você foi brilhante, mas cumpre-me dizer-lhe que, se tivesse eu lido o seu escrito antes que o pronunciasse, teria pedido que minimizasse a magnificência de algumas de suas frases e o teor caloroso de seu pensamento. Conheço esta Casa há anos. Não é conveniente que sua estreia faça tremer, talvez de inveja, quem sabe?, de egoísmo, muitos dos que aqui se julgam donos do falar, mestres dos discursos. Iniciante, sua oração fez silenciar a plateia, o que não é comum. Das próximas vezes, desça alguns degraus em sua fala; depois, aos poucos, suba até a altura a que hoje chegou.

Ao que se sabe, embora tentasse, o grande orador Churchill não soube como obedecer a seu amigo e conselheiro.

CHURCHIL, PRIMEIRO LORDE DO ALMIRANTADO

Conta-se que, de início, Churchill, relativamente jovem em face dos almirantes antigos da marinha inglesa, visitava frequentemente os navios que chegavam ao porto. Queria conhecer e, por que não?, desejava ser conhecido.

E mais, em tais visitas, fazia por avaliar a conveniente liderança do Comandante sobre seus subordinados.

Numa de tais inspeções, feita a um navio comandado por velho almirante, após passar em revista militar os marinheiros perfilados, presentes ao ato, começou a fazer o reconhecimento dos militares patenteados. Bem impressionado com tudo que viu, juntou-se ao Comandante do navio e se pôs a cumprimentar um que outro dos marinheiros, num processo afetivo que muito o satisfazia.

Uma de suas condutas usuais, em tais eventos, era proceder à possível mensuração do relacionamento do Comandante com o pessoal sob seu mando. E o processo que geralmente adotava era o de testar o conhecimento, pelo comando, dos marinheiros lotados no navio. Quando menos, o Comandante deveria saber o nome e a função de certo número dos homens que compunham a tripulação do navio. Esse conhecimento, acreditava Churchill, seria sinal de uma significativa ambientação do comando com seus subordinados.

Chegando Churchill junto a um jovem marinheiro, na fila de inúmeros pelos quais passava, parou. Voltando-se para o Comandante, fez-lhe, de chofre, a pergunta:

– Comandante, qual o nome deste marinheiro?

Para não ser desacreditado, em público, diante do Primeiro-ministro, o experiente Comandante, confiante na fidelidade de seu subordinado, respondeu com presteza:

–  Seu nome é Eduard, prezado Ministro.

Churchill encarou o marinheiro e repetiu-lhe a pergunta, para certificar-se:

– Qual o seu nome?

– My name is Eduard Dikens, respondeu prontamente o fiel marinheiro John Randolph…

Esse e inúmeros outros eventos se passaram na esteira da cultura e da civilização do Reino Unido, jungidos à personalidade multifacetada de um dos homens que maior influência teve nos conturbados anos do século XX, incontestavelmente, um dos maiores “agentes da história” do nosso tempo, como o chamou seu biógrafo Martin Gilbert.

 
Post / Novembro / 2009 - Feiz Bahmed