Pesquisa:

Ato de Caridade

voltar Comentar Imprimir




Djalma Andrade nasceu em Congonhas, Minas Gerais. Formado em Direito, foi nomeado Promotor de Justiça em Ouro Preto, mas não tomou posse; preferiu dedicar-se ao jornalismo e às letras. Atuou em quase todos os diários e revistas de Belo Horizonte. No jornal Estado de Minas, assinou, por anos, a coluna "História Alegre de Belo Horizonte". Em teatros locais, fazia apresentações de poemas de sua lavra, espetáculos em voga à época e bastante concorridos. Foi membro da Academia de Letras de Minas Gerais e da Academia de Lisboa.

Segundo J.G. de Araújo Jorge [em "Antologia da Nova Poesia Brasileira", 1948], o soneto "Ato de Caridade", de Djalma Andrade, foi considerado pela Academia de Letras de Portugal como um dos doze sonetos mais bonitos da língua portuguesa.

Ato de Carididade - Djalma Andrade

Que eu faça o bem e de tal modo o faça,
Que ninguém saiba o quanto me custou.
- Mãe, espero em ti mais esta graça:
- Que eu seja bom sem parecer que o sou.

Que o pouco que me dês me satisfaça,
E se, do pouco mesmo, algum sobrou,
Que eu leve esta migalha onde a desgraça
Inesperadamente penetrou.

Que a minha mesa, a mais, tenha um talher,
Que será, minha mãe, Senhora nossa,
Para o pobre faminto que vier.

Que eu transponha tropeços e embaraços:
Que eu não coma, sozinho, o pão que possa
Ser partido, por mim, em dois pedaços.


Post Mar/2012 - Feiz Bahmed