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No último Natal, de passagem por um conhecido e bem frequentado restaurante nos arredores da cidade de São João Del Rey (MG), encontrei sobre as mesas, à guisa do chamado "jogo americano", incontáveis e bem apresentados mapas da "Estrada Real".

Um tanto emocionado – pois, serrano, julgo que se não houvesse Sêrro e Diamantina, obviamente, não existiria nenhuma estrada real neste país – sentei-me e surpreendi-me com o que ali vi traçado e que, abaixo, o leitor também poderá ver: não havia Sêrro na afamada "Estrada Real"! O tal mapa, que inicia o real percurso em Diamantina, traz, após, São Gonçalo do Rio das Pedras, seguida da "localidade" denominada "SERRA"!


Estrada Real
Não seria a ilógica e irregular alteração de um nome próprio – a grafia de Sêrro trocada, de modo aparvalhado, por "Serro" é – a razão de um cartógrafo (!) ignorar o nome de uma tricentenária e histórica cidade? Se essa carência de um mero acento circunflexo leva um profissional a errar estupidamente, que se pode esperar daqueles semianalfabetos que um dia lerão o nome dessa tão querida e importante cidade?

Quando o Sêrro, em seu remoto passado, era um nome geográfico e politicamente notório em todo o Vale do Jequitinhonha e alhures, falado e escrito dentro de um imenso mundo que o cercava, talvez pudesse sua grafia dispensar o acento que lhe conferiria a sonoridade fechada: S(ê)rro. Era uma Comarca que se estendia até a Bahia. Mas, no mundo "globalizado" de agora, com nome internacionalizado pela internet, terá que se marcar com um acento circunflexo em sua primeira sílaba, conferindo-lhe o som fechado para que não se confunda com a pronúncia de seu homógrafo, "serro" é, 1ª p. pres. ind. do verbo serrar. Ou para que não seja, de forma bem mais estúpida, trocado por "Serra", como lhe chamou, oficialmente, o incompetente cartógrafo (ou teria sido obra de um incauto revisor?).

Seja como for, isso só reforça a motivação de nossa campanha por um circunflexo "perdido" na grafia de "Sêrro" – campanha que, por sinal, vem recebendo inúmeros apoios. Há pouco, recebemos de um insigne médico serrano o seguinte comentário ao nosso artigo sobre o assunto, o qual se encontra registrado neste Blog:
167- Samuel Vianney da Cunha Pereira comentou: janeiro 9h, 2011 at 11:30 pm

Caro Feiz, Como você alerta apropriada e sabiamente em seu artigo, já ouvi de pessoas que não conhecem nossas tradições, em especial aqueles de outros estados do Brasil, referirem-se ao S(ê)rro como S(é)rro. Alio-me à sua campanha pela volta do acento e na carona, pela supressão do "assento esplêndido"

Volto a meu argumento de que não haveria necessidade ou obrigatoriedade, por parte da gente serrana ou dos órgãos públicos de Sêrro, de retirar o acento do vocábulo "Sêrro", pois, sendo nome próprio, deve ser considerado imutável e imexível.

Vem a propósito a assinatura do nosso amigo e prestigioso médico, Vianney, acima citado, que jamais retirou de seu nome (próprio) a letra "y", quando os "acadêmicos", de forma idiota, eliminaram o K, o W e Y de nosso alfabeto, para, agora arrependidos, com eles voltarem…

A desnecessidade da medida de acabarem com o acento diferencial em nossa língua é algo evidente. Tanto que ela se faz já anunciando exceções: pôde/pode – pôr/por – vem/vêm – tem/têm (3.a p. sing. e pl. dos verbos vir e ter). Outras, igualmente devidas, ficaram no esquecimento e nos falam delas frases como "O cavalo para para beber água."; "O gato tem pelo pelo corpo."; "Eles tinham sede de ocupar a sede da organização.", etc. Muitos outros vocábulos precisariam marcar-se com algum sinal diacrítico para distinguirem-se de seus homógrafos e para facilitar sua leitura.

Pouco importa que a burocracia venha a exigir dos "cartórios" que se retire o acento. Quem faz a língua – já disseram os linguistas – é o povo, que a escreve e fala. Por isso, entendo devamos entrar em uma fascinante e patriótica "DESOBEDIÊNCIA CIVIL", visando manter – em todo o país, e, amanhã, no mundo – a sonoridade tricentenária da terra histórica que assina SÊRRO!


Postado em jan/2011 - Feiz Bahmed