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Belmiro de Almeida - O Ouro de Minas Expulsou os Artistas

 

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Como é notório, as artes plásticas desenvolvidas no Brasil são caudatárias do mundo europeu. O mesmo se poderia dizer de muitos dos países hispano-americanos, cabendo a estes, entretanto, um diferencial que merece apreço: em alguns deles, o colonizador encontrou uma arte autóctone – como a das civilizações Inca e Asteca – que se somou à arte migrante, o que resultou em uma evidente valoração estética, mantida até o momento no México, no Peru e alhures.

Já no Brasil, a arte indígena aqui encontrada pelo europeu era de tal forma primitiva e tosca que não cabia acordar-se à já desenvolvida arte dos colonizadores. Destes, importamos as técnicas, telas, tintas, combinações de cores e, mormente, os estilos em voga no Ocidente. O abrasileiramento da pintura só ocorreu, em parte, após o Movimento Modernista de 1922.

Pernambuco, principalmente na época da administração do conde Maurício de Nassau (1637-1644), recebeu o talento de grandes pintores europeus – padres ou pessoas ligadas à igreja – em cujos primeiros templos, pintavam artisticamente os tetos e altares. Com esses pioneiros, vieram outros eméritos artistas como Frans Post, um dos maiores, senão o maior dos paisagistas que retratavam o Brasil para a curiosidade dos colonizadores europeus.

Cabe aqui lembrar que, no século XVII, não havia sido inventada a fotografia e, assim, os europeus conquistadores enviavam paisagistas exímios, a fim de, através de suas telas, conhecerem suas novas terras. A partir do início do século XIX, com a vinda do príncipe regente de Portugal, D. João VI, o Brasil voltou a ganhar a presença de muitos artistas europeus, principalmente franceses, e, entre estes, Debret, que empreendeu sua bem conhecida "missão artística" no Brasil. Por esses caminhos, importamos parte relevante da arte pictórica européia, que se fez presente no Nordeste, a partir de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, onde se fundou a Academia Imperial de Belas Artes.

Foram esses estados as matrizes primeiras das belas artes no país, dispersando e difundindo a pintura e a escultura hoje presentes em todo o espaço nacional. E MINAS GERAIS?

A Metrópole havia desenhado o mapa de Minas com seguros limites em suas extensas latitude e longitude, impedindo a fuga do ouro que nascia copioso em toda a extensão das terras então cercadas por Portugal. Sequer deu a Minas um pequeno pedaço de mar por onde poderiam desviar-se meras faíscas do metal precioso.

Com todo esse rigor em esconder sua riqueza, jamais a Metrópole iria permitir a entrada de pintores paisagistas nesse seu domínio, capazes, eles, de desenhar em telas algumas das centenas de jazidas auríferas povoadas de escravos, mandá-las à Europa como "obras de arte" e, com elas, oferecer a outros povos "o caminho das minas"…

Mas Portugal não vetou a entrada ou a permanência de artistas em Minas Gerais, desde que sua arte se limitasse a enfeitar tetos e altares de igrejas com as imagens evangélicas, salpicando ali anjos coloridos e teses celestes. Para uso e gozo laico, porém, poderiam criar quadros em que o assunto principal fosse figuras monárquicas – reis, barões, príncipes, princesas – ou desenhos de vitoriosas batalhas lusas.

As pinturas sacras em Minas se fizeram ad aeternum, guardadas pelos fiéis e pelo zeloso Patrimônio Histórico. Quanto às demais, se boas, foram ter aos museus; se razoáveis apenas, pereceram. Daí a pobreza das paredes mineiras de antanho, adornadas quase sempre com as cinzentas "folhinhas de Mariana", que marcavam a lua e as chuvas, ou com retratos de avós mui bem emoldurados e, não raro, melancólicas fotos de "anjinhos", que se foram prematuramente para os céus.

Em terras assim, o artista que "tem um olho", a despeito de ser rei, emigra. Foi o que fez o serrano Belmiro Barbosa de Almeida.

Se coube a Nassau e ao príncipe D. João VI introduzir as artes plásticas no Brasil, foi Juscelino o introdutor delas em Minas, por muitos de seus atos e, principalmente, por acolher o talentoso Guignard, que fez nascer em Minas o gosto pela pintura, hoje uma das mais importantes e ricas do país.

Belmiro de Almeida Belmiro de Almeida
Belmiro de Almeida
Óleo s/ tela, adquirido em leilão de arte
no Rio de Janeiro
Assinado Cid - 1909
ARRUFOS
Belmiro de Almeida
Postado em set/2009 - Feiz Bahmed