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De baixo

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DE BAIXO”

“As palavras, como os homens, são seres vivos. Nascem,
crescem e algumas morrem.” [Prof. Luciano Oliveira]

Ainda na primeira metade do século XX, e, certamente, nos passados anos, era comum ouvir-se nas cidades antigas de Minas Gerais, como Serro, Diamantina e outras, a expressão “de baixo”, como sinônimo de “estrangeiro”, ou “importado” – em relação a produtos.

Assim, um doce enlatado provindo de Portugal ganhava em Minas o nome de “doce de baixo”. Sim, visto das alturas de Minas, tudo o que viesse do exterior, naturalmente por mar, partia de um porto, Rio, Santos ou outros – todos, obviamente, postos geograficamente abaixo do chão mineiro. Justificada estaria então a expressão como uma espécie de apócope da locução “de baixo para cima”, sem que isso denotasse necessariamente uma condição de inferioridade do dito produto.

Fato é que um biscoito francês – assim como outros tantos produtos importados – era denominado “biscoito de baixo”, ganhando, àquele tempo, a adjetivação de “biscoito importado”, com o que se sofisticava o produto, em detrimento dos nossos então caipiras…

Nenhum dicionário, dos muitos que vimos – nem mesmo o histórico “Dicionário de usos do Português do Brasil”, de Francisco Borba – anota a expressão, que, com o tempo, morreu. Os dicionaristas registram apenas o advérbio “debaixo” para identificar “posição verticalmente inferior” ou “condição de inferioridade”; mas a expressão adjetiva “de baixo” estará registrada, com certeza, nos escritos populares da época.

Post fev/2012 – Feiz Bahmed