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Diga

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Se você admira, de verdade,
a inteligência, a competência, o zelo,
o talento de alguém, sua bondade,
- diga-lhe, enquanto é tempo de dizê-lo!

Se gosta de alguém, se o aprecia,
se o julga ser na vida um bom modelo
de caráter, lealdade ou simpatia,
diga-lhe, enquanto é tempo de dizê-lo!

A seu amigo, a seu irmão querido,
a quem mereça o seu bem-querer,
diga tudo de bom que ele tem sido,
mas diga enquanto há tempo pra dizer.

Não guarde pra expressar tudo o que pensa
no momento em que ele, sobre um leito,
sequer perceberá sua presença,
com o coração parado sob o peito.

Aí não mais importa o que se exclama!
de que vale exaltar a sua fama?
de que serve dizer que muito o ama?
- seu pobre morto nada entenderá.

Suas lágrimas cairão, sem que ele as sinta,
num corpo frio, que é uma luz extinta,
e se as virtudes dele agora pinta,
- seu pobre morto nada escutará!

Não deixe que se perca um bom momento,
diga o elogio sem constrangimento;
não guarde só pra si seu sentimento,
revele-o livremente, desabafe-o!

Às vezes, por fraqueza ou covardia,
uma palavra amiga a gente adia,
para inscrevê-la, após, na cova fria
de quem não lê o seu próprio epitáfio…

O seu amigo, o seu irmão querido,
enquanto há vida, sempre os enalteça!
diga tudo de bom que eles têm sido,
pra que sua alma, assim, nunca conheça
um silêncio tristonho e arrependido.

  Assinatura:  Feiz Bahmed - BH. 1961 

 

P.S.”Não basta amar os outros,
é preciso que eles percebam”
(Autor ignorado)