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Lula Fala “Merda”

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A imprensa acusou o Presidente Lula de usar um “palavrão”. Recordo-me, no entanto, de um professor da Faculdade de Medicina, PHD, gente, pois, da “zelite”, que usou idêntica expressão chula – e pior – xingando alunos seus, em solene aula que proferia. Eu conto a história.

Até o distante ano de 1941, findo o chamado “curso ginasial”, que durava cinco anos (ou seis, se incluído o ano denominado “admissão”), o aluno, sem prestar concurso, matriculava-se na faculdade da profissão escolhida, onde, de início, cursava três anos, conhecidos por “pré”: “pré de medicina”, “pré de engenharia”, etc.

As faculdades de medicina recebiam nesse seu curso preliminar, indiferentemente, alunos, que pretendiam formar-se para a profissão médica e os que tinham como objetivo a profissão farmacêutica.

Certa vez, em uma das faculdades de medicina estabelecida na época no estado de Minas, os estudantes que pretendiam a farmácia como profissão, de alguma forma revoltados, foram ter à reitoria, onde se queixaram de que, minoria que eram no curso “pré”, se haviam com dificuldades ou discriminação por parte de alguns mestres.

É que certos professores, mormente o de fisiologia, adotavam, em aula, um discurso muito técnico, direcionado, especificamente, aos alunos pretendentes ao curso de medicina, em detrimento dos que almejavam seguir o de farmácia. Estes últimos, na realidade, pouca necessidade prática tinham de alguns temas e, principalmente, de vocabulário prestante aos seus colegas de medicina, cujos termos, inclusive, caíam em provas, que também eram iguais para ambos os cursos.

Sentindo-se atingido com a queixa dos alunos, o professor de fisiologia, na primeira aula que proferiu após a reclamação, sem qualquer comentário ou observação prévia – ao contrário, visando atender aos reclamantes – expôs o tema relativo ao processo digestivo do ser humano, expressando-se da seguinte forma:

“A digestão humana inicia-se na cavidade bucal (boca para os estudantes de farmácia). Ali é mastigado o alimento (ali é mordido o rango, para os estudantes de farmácia). Levado à garganta (jogado na goela, para os estudantes de farmácia). Desce pelo conduto muscular e membranoso que vai do fundo da cavidade bucal à faringe e ao esôfago (desce por um buraco chamado faringe, para os estudantes de farmácia). O alimento, então, ganha o estômago (cai no bucho, para os estudantes de farmácia). É elevado ao intestino para absorção (levado às tripas, para os estudantes de farmácia). Torna-se, então, um excremento fecal, para os estudantes de medicina, e MERDA para os estudantes de farmácia.”

Deu como finda a aula, foi-se embora e, ao que se sabe, jamais voltou à Faculdade.

Post jan/2010 - Feiz Bahmed