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Critério Salarial

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              O pagamento de salário a alguém que nos preste algum serviço leva-nos, de regra, a muitas dúvidas. O corriqueiro é buscar no mercado o valor pago em empregos similares e valer-se desse não tão seguro ou justo confronto para estabelecer o pagamento de nosso elemento contratado ou a contratar. Não tão justo, sim, pois muitas são as condições discordantes dos valores atribuídos a um mesmo empregado: tempo de casa, confiabilidade, agilidade física e mental, enfim, virtudes ou deficiências que sempre pesam pró ou contra o assalariado. Em Recursos Humanos, com que trabalhei, por muitos anos, em grandes empresas, conheci certos esquemas que orientam ou facilitam a decisão, se não de forma absoluta, mas conduzindo-nos a um acerto bem perto do justo.

            Considerando-se sempre os valores salariais vigentes na empresa, pode-se valer de uma fórmula que denominamos “CRT”, na qual C representa a capacidade profissional do assalariado; R, a remuneração que receberá ou que recebe; e T, o trabalho que ele faz ou que se propõe fazer.A fórmula ideal, mas nem sempre alcançada, por motivos óbvios, é:

C = T = R

              Tal fórmula pode traduzir-se por um salário justo, já que a equação indica o assalariado com uma capacidade profissional (C) igual à grandeza do trabalho que realiza (T), e que recebe uma remuneração (R) concordante com sua capacidade profissional e com o trabalho a seu cargo.

            A partir dessa conjunção – C R T – em linha reta, como acima, outras e muitas são as variáveis com as quais se pode medir a justeza da remuneração do funcionário, operário ou outro trabalhador.

Há casos, por exemplo, em que a colocação desses sinais é:

C = T
R

              Isso indica que o analisado tem capacidade profissional para realizar, de forma perfeita, o trabalho a ele atribuído, porém, sua remuneração está abaixo da performance do serviço que presta e da sua capacidade profissional/intelectual.

              Um exemplo, a meu ver, existente em algumas situações de trabalho no serviço público brasileiro, é aquele em que se pode estabelecer a seguinte combinação:

R
T
C

              É o típico caso em que o “afilhado” tem uma remuneração acima do trabalho que realiza; ao mesmo tempo, o trabalho a seu encargo é superior à sua capacidade profissional/intelectual.

              Igualmente, podemos ter, em determinados cargos, pessoas a quem se pode aplicar a seguinte combinação das letras:

T = R
C

              Essa é a situação em que teríamos alguém – por simples exemplo, um ministro do STF – que receberia, certamente, uma remuneração condizente com o trabalho que realiza, e teria, infelizmente, uma condição intelectual e/ou profissional inferior ao trabalho a seu encargo e à remuneração, que se faz injusta, já que acima de sua capacidade profissional.

              Por haver pautado os exemplos em encargos de terceiros, faço agora uma análise de minha performance como empregador e analiso a realidade do trabalho e da remuneração da prezada chef de minha cozinha, e convido a quem duvidar que venha almoçar comigo:

R
C = T

              Não se depreenda, da fórmula acima, que a capacidade e o trabalho realizado por minha competente “chef” deixem a desejar, já que o C e o T foram colocados abaixo do R. Pelo contrário. É que acredito ser sempre conveniente, em qualquer situação, colocar o R acima do T, quando o C é bom ou ótimo, o que, além de compelir a permanência do funcionário em nossa empresa, nos livra da cobiça dos concorrentes.  Por isso, pago a ela um salário – creio eu – acima do comum no mercado, pois remunero a boa capacidade que possui e sua aptidão de, quando conveniente ou necessário, preparar uma refeição à base de uma refinada culinária. Remuneração que, por isso, fica acima de seu trabalho costumeiro, quotidiano, que é o do trivial almoço/jantar de cada dia.  Assim, a fórmula de avaliação, nesse caso, também poderia ser:

R = C
T

              Enfim, creio que o sistema é bastante simples, e o leitor estará apto a, com ele, classificar a situação de um trabalhador braçal, do chefe ou proprietário a firma onde eventualmente trabalha e, até mesmo, da sua própria situação, se ela se assemelhar às condições correntes no mercado em que atua. Há que se considerar, entretanto, que a mensuração das variáveis que compõem a fórmula é, em alguns casos, bem subjetiva, podendo, assim, a fórmula ser dessemelhante num mesmo caso – quando objeto de mais de uma avaliação.

              Exemplo disso é o julgamento que faço do salário do jogador corintiano Ronaldo “Fenômeno” Sei que minha estimação certamente será diferente da de muitos que me lerem. Em minha opinião, a combinação, nesse caso, seria:

R
T
C

              E, como sou um brasileiro votante, termino por classificar a situação de nosso presidente, Luiz Inácio Lula da Silva:

C = T
R

              Cabe a você, eventual leitor – certamente também eleitor e brasileiro – refazer a “equação” acima, se dela discordar. Se refeita, coloque-a no COMENTÁRIO deste blog, e ela será aqui publicada. Afinal, não sou dono das “letras” “CRT” e, menos ainda, da Verdade.

                                                                                                       Post jan/2010 - Feiz Bahmed