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A Filóloga Poetisa

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Sempre soube ser a mineira Maria Geralda uma talentosa especialista em filologia, parte da, hoje, em Belo Horizonte,  rara turma de gênios que socorrem os desvalidos, quando estes se encontram perdidos no matagal da língua. Não  são poucos os que, sempre indecisos sobre se colocam a crase, se não colocam a crase, órfãos do Aires da Mata Machado, acabam por mudar o texto pra fugir da dúvida cruel e perigosa.

Nunca supus, no entanto, que a alguém que se ocupe deste nosso  tão conhecido  emaranhado gramatical, sobrasse tempo para  dedicar-se à poesia. Pois ela é uma autêntica prova do que sempre pensei e sempre disse: todos somos poetas. Alguns, corajosamente, escrevem e publicam seus poemas; a maioria se enterra com eles.

Vejam, abaixo, os belos versos dedicados à sua querida filha, por essa poetisa bissexta, que hoje vem enfeitar nosso modesto blog.  Versos vestidos de carinho e de muito amor. E que outra coisa é, ou deve ser, a Poesia?

Post janeiro 2011 – Feiz Bahmed

FORMANDA

(À Caroline)

Concluída a Faculdade
Formanda é adjetivo
Que não lhe cabe.
Inadequado a quem rejeita
Toda e qualquer fôrma ou forma
De enquadramento
A quem tem seu próprio lápis
Para traçar na folha da vida
Em traços firmes
O caminho do amanhã.
E traça um caminho agreste, bravio
Só pelo gosto do desafio
De desbravar.

Concluída a Faculdade, você é
Menos formada que inconformada
Com a mesmice da fôrma
E com a repetição da forma.

Formanda, sim, você será sempre
A formar e transformar tudo e todos
Que encontre pelo caminho
Com a simples magia de sua presença.
Porque você é como Midas
Tem dom de transformar a vida
Em ouro com a aura de sua alegria
De sua inteligência
De sua simpatia
E de sua bondade.

Sou feliz por ter sido sua fôrma
(Ainda que por nove meses)
E por ter contribuído
Para que na vida você moldasse
Sua própria forma
Sua bela forma, que se transforma
E aperfeiçoa a cada dia, modelada
Pelo amor de quem você cativa.

Minha formanda querida,
Releve as tantas vezes que tentei
Te colocar em minha fôrma: coisa de mãe
Coisa de quem ama muito
E pensa que conhece a forma
De não deixar sofrer a cria
(Como se isso fosse possível!)

Segue, filha, vai desbravar
Suas entradas, saídas e bandeiras,
Que eu estarei aqui
Na retaguarda, de dando cobertura
Com a maior e mais bem moldada
De todas as fôrmas:
Meu amor por você.

Maria Geralda Neves