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Poesia no Congresso

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Na quarta-feira, 8 de abril deste ano de 2009, em Brasília e no Congresso da República, o delegado Protógenes Queiroz, antes de iniciar o seu depoimento na denominada “CPI dos grampos”, pediu licença para declamar o poema “O Tocador de Atabaques”, do poeta fluminense Eduardo Alves da Costa.

Não sei se os deputados e senadores, ocupados sempre e tão somente com a Pátria e com o bem-estar do povo, escutaram e entenderam o recitativo do depoente.Eu entendi o recado porque sei do infortúnio do delegado por denunciar gente rica e conheço o poeta Eduardo Alves e seu longo poema “O Tocador de Atabaques”.

Entretanto, não tenho a intenção de reproduzir aqui o poema recitado por Protógenes no Congresso, mas lembrar um outro, do mesmo autor, que sei, de cabeça, e que recito de cor: é o “No Caminho, com Maiakóvski”. Abaixo, um fragmento desse poema. É assim (bonito!):

 

 “[...]

Tu sabes,

conheces melhor do que eu

a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor

do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:

pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.

[...]”

Houve uma longa polêmica sobre esse belo poema, cuja autoria foi quase sempre – e por muito tempo – creditada ao poeta russo Vladimir Maiakóvski. Até que se constatou que a obra era mesmo do talentoso vate fluminense. Esse reconhecimento se deu graças à exibição de um trecho do poema, recitado por Christiane Torloni em uma novela da Globo. E dizem que as novelas não prestam pra nada…

Um dia, se quiserem, eu publico os versos todos. Mesmo se não quiserem…

Postado em abril/2009 - Feiz Bahmed