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Relógio

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Na parede, o relógio antigo
não faz mais hora.
Parou de velho,
de ferrugem,
de cansaço,
em protesto.
Implacável, o tempo vai.
E de novo vem o sol
estrangulando a madrugada,
ajudando outra aurora nascer…
E de novo o vento
açoitando a cabeleira das árvores,
espalhando na terra novas sementes…
De novo segue o tempo,
efêmero,
inexorável,
pregnante e
veloz…
Chega tudo de novo:
o sol, o vento e a vida
na sina deste tempo
marcando a face desta mulher
que, já entardecendo, amanhece…

Maria Coeli

 

Abro o livro “DESPEJO” da poetisa Maria Coeli e, em “Dados da autora”, Maria Emília Simões fala por mim:

“Que estranha essa mulher avezada ao comando firme e, a um só tempo, doce”.

Foi de André Mouroi que ouvi esta verdade: “A grande batalha da vida está em transformar o destino imposto no destino escolhido.”  Coeli escolhe  seus caminhos  e neles sempre triunfa. É alguém sem horóscopo definido; nasceu, quem sabe, na confluência de todos os signos e impõe à sua vida o destino que elege. Nos poemas aqui mostrados, a poetisa; na linguagem que a identifica, um pequeno pedaço da “doce” Coeli.

Postado em fevereiro/2009 – Feiz Bahmed