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Soneto de Arvers Guilherme

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Felix Arvers teve a glória de produzir o mais famoso soneto da Literatura universal.Soneto algum jamais foi tão publicado, tão traduzido e tão imitado em todo o mundo.

Felix Arvers nasceu em Paris em 23 de julho de 1806, onde também faleceu, em 7 de novembro de 1850. A despeito de ter  sido o autor do soneto mais célebre do mundo, morreu esquecido, pobre e dele distante todo o mundo artístico da Europa.

A musa secreta que lhe inspirou os versos só foi identificada alguns anos após o sucesso do poema.  Era Marie Nodier, que por vários anos ignorou ser a musa de tão famoso soneto, e era, à época, uma jovem de dezenove anos, comprometida, sem grande beleza, mas dotada de brilhante inteligência; poetisa e autora de melodias que enfeitavam, àquele tempo, versos de Victor Hugo, Muset e outros intelectuais de peso. O soneto teve o original escrito por Arvers no rico álbum de sua própria musa, sem que ela tivesse a mínima idéia de que fora sua inspiradora.

No Brasil, o Soneto de Arvers foi traduzido por dezenas de poetas. Disputa-se, na Literatura Brasileira, a glória de poeta que construiu a melhor tradução do célebre soneto, que vai abaixo, no original francês:

LE SONET D’ARVERS

Mon âme a son secret, ma vi a son mystère;
Un amour eternal en moment conçu,
Le mal sans espoir; aussi j’ai dû le traire,
Et celle qui l’a fait n’em a jamais rien su.

Helas? j’aurai passe pres d’elle inaperçu,
Toujours a sés cotes et pourtant solitaire;
Et j’aurai jusqu’aubout fait mon temps sur la terre,
N’osant rien demander etn’ayant rien reçu.

Pour elle, quoique Dieu l’ai faite douce et tender
Elle ira son chemin, distraite et sans entrende
Ce murmure d’amour élevé sur ses pas,

A l’austère devoir pieusement fidèle,
Elle dire, lisant ces vers tout remplis d’elle,
-”Quelle est done cette femme? - et ne comprendra pas.

J.G. de Araújo Jorge fez mais de uma tradução do famoso soneto. Aqui trazemos uma das mais publicadas. Note-se, que outras, de diversos autores, guardam semelhança com esta e se modificam mormente nas rimas e sinonímia, pois o texto, enquanto tradução, há que estar preso ao original.

SONETO DE ARVERS

Tenho um segredo na alma, e um mistério na vida:
Um repentino amor que me empolga e devora;
Louca paixão que trago em minha alma escondida
E aquela que a inspirou, entretanto ignora…

Ai, de mim! Sigo só, mesmo a seu lado, embora
Leve no coração sua imagem querida
Até que venha a morte, e amanhã, como agora,
Nada possa esperar dessa paixão proibida…

E ela que a alma possui só de ternuras cheia
Seguirá seu caminho, indiferente, e alheia
Ao sussuro de amor que em vão a seguirá…

Presa a um nobre dever, a um tempo fiel e bela,
Dirá depois que ler meus versos cheios dela:
-”Que mulher será essa?…” E não compreenderá…

[Tradução de J.G. de Araújo Jorge]

SONETO DE ARVERS

Tenho na alma um segredo e um mistério na vida:
Um amor que nasceu, eterno, num momento,
E sem remédio a dor; trago-a, pois, escondida,
E aquela que a causou nem sabe o meu tormento.

Por ela hei de passar, sombra inapercebida,
Sempre a seu lado, mas num triste isolamento,
E chegarei ao fim da existência esquecida
Sem nada ousar pedir e sem um só lamento.

E ela, que entanto Deus fez terna e complacente,
Há de, por seu caminho, ir surda e indiferente
Ao murmúrio de amor que sempre a seguirá.

A um austero dever piedosamente presa,
Ela dirá, lendo estes versos, com certeza:
- “Que mulher será esta?” - e não compreenderá

[Tradução de  Guilherme de Almeida]

Tão  famoso se fez  o soneto de Arvers, que trinta poetas brasileiros o traduziram. Como se vê, o tema do poema é o amor secreto de Felix Arvers por uma poetisa amiga, porém casada, digna e, pelo que se conta, nem tão bela quanto talentosa foi. O segredo  sobre  a  musa  de  Arvers  era  por  ele  muito bem guardado e tanto que, ao fim, a sua amada, no soneto pergunta:  “Que mulher será esta?…”  Diante desse mistério, outro poeta francês,  Louis Algoin, compôs interessante, e também belo poema -, uma paráfrase, em que ele responde a Arvers, passando-se pela amada, que declara saber ser ela a mulher querida.