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Yazul

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     Era uma vez um rei, de um velho país do Oriente, que mandava em seus ministros, mandava em seus escravos, mandava em seu povo, mandava em todo o mundo. Havia muito, aquele rei, que se chamava Email, se punha a meditar sobre sua vida, sobre seu poder, em suma, sobre as coisas do mundo nas quais não havia como exercer sua autoridade.

     Certo dia, esse rei chamou um de seus ministros – aquele que sempre julgara o mais arguto, o mais culto de todos os auxiliares que o haviam cercado durante todo o tempo de seu longo reinado – e lhe disse:

             – Ministro Abdjan, quero de ti uma pronta resposta sobre algo que está há tempos a me consternar. Por mais que há muito venha meditando, por mais que busque, não encontro resposta que atenda, com exatidão, a minha irretorquível pergunta.

              – Diga, majestade, qual a resposta que vos falta, perguntou-lhe Abdjan. Tudo farei na busca de uma boa solução para vossa desventura.

               – Sei que és um homem sábio, repostou o rei, e por isso entrego-te minha cruel indecisão. Embora eu tenha passado a vida à procura do que te peço agora, espero que encontres para mim, de pronto, uma palavra que – presta tua atenção – uma palavra que, estando eu triste, a leia, e me ponha alegre e feliz. Entretanto, ministro, que essa mesma palavra, se acaso estiver eu alegre e contente, baste que a veja, para me pôr, imediatamente, entristecido. Se encontrares essa mágica palavra ou frase, eu a inscreverei em meu anel, para tê-la sempre a meu alcance em qualquer momento de minha vida.

            – Farei tudo para encontrar o que desejais, majestade, respondeu o fiel ministro.

             – Dou-te, Abdjan, até amanhã ao entardecer, para que me tragas a solução. Se, com teu saber e teu aplicado intento, até lá não encontrares a palavra mágica, ficaremos, eu e tu, infelizes. Eu, com minha antiga dúvida, tu sem tua vida, que a perderás na forca!

             Era já madrugada e Abdjan se encontrava à janela de seus aposentos, pensativo, deixando transparecer na face a tristeza de sua alma. Pedira aos deuses que o iluminassem, mas, supôs, nem mesmo eles poderiam saber onde encontrar a misteriosa palavra.

             Sua dedicada filha, Farida, ainda acordada, percebendo a angústia do pai, foi até ele e perguntou o motivo de sua inusitada vigília e da tristeza que seu rosto não escondia.

             – É que nosso rei Email, dando-me aquela incumbência de que lhe falei, decretou minha morte por enforcamento, caso eu não leve a ele a palavra mágica até o entardecer de hoje. 

             Farida, consternada, prontificou-se a ajudar o pai. Pediu, com muita fé, a intercessão de Alá, e, mal o sol apareceu na manhã daquele dia, correu ela até o pai e lhe passou, escrita, a palavra mágica.

             Sequer esperando o entardecer, Abdjan dirigiu-se rapidamente ao palácio real e, buscando o rei, anunciou-lhe, eufórico, que havia achado o que ele lhe pedira.

            – E que bendita palavra é essa, ministro Addjan? Perguntou o rei ansioso.

             – É, majestade, o mágico vocábulo “YAZUL”!

            (Em Português: “TUDO PASSA”)

              O rei Email meditou por alguns instantes, pensativo e, compreendendo finalmente o significado daquela mágica expressão, exultou. Feliz, abraçou Abdjan.

 Post-escriptum: Quanta verdade existe numa ingênua ficção!

                                             Post agosto/2010 - Feiz Bahmed