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Pequenas Histórias do Oriente

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    Cabe lembrar que, desde um longínquo passado, nasceram no Oriente pequenas histórias à guisa da original literatura de então. Em Incontáveis séculos atrás, desconhecido o papel, inexistente a tinta ou quaisquer ferramentas que ajudassem a produzir escritos de maior dimensão, como as que, após, se viabilizaram, as histórias de então deveriam ser curtas, fáceis de se decorar, pois só se divulgavam, ou mesmo se eternizavam, pela oralidade.

     Eram, então, as curtas histórias míticas, lendas, fábulas e parábolas, cujos textos, certamente, prestaram-se para dar origem aos contos universais do agora. De outra forma, aceita por paralelismo, a poesia, nesse contexto, ganhou a figuração da rima, principalmente, como ajuda à memorização e lembrança dos versos. Aceita e consentida por longo espaço, ganhou ela, igualmente, o status de ajuda ao ritmo e à harmonia do verso, e converteu-se no Belo, com que consagrou incontáveis poemas rimados, de ontem e de agora.

            Se tomarmos as coisas de Cristo, que por lá nasceram, veremos que muitas delas se fazem em ricas fábulas e pequenos contos morais, sentenças e refrães que contêm alto caráter assim moralizante como didático. Por um Deus, ali foi escolhido o estilo da parábola, pois nela, quase sempre, cabe o sentido do imutável e do eterno.

            Ele, que há dois mil anos, regrou os rumos da civilização ocidental com sua palavra, não se expressou em longos trechos, mas em breves frases, curtas parábolas contendo imensas e eternas verdades.

            A literatura oriental se fez, assim, àquela época, em pequenos trechos. O livro denominado “As Mil e Uma Noites”, embora de inúmeras páginas, contém apenas pequenos contos, diminutas histórias vividas a cada dia.

            Igualmente, a filosofia árabe se fez, no passado, na concisão do provérbio, na metáfora da lenda e no minimalismo da história curta e simples, muitas vezes metafórica, a regra do estilo em que, com pouco, tudo se diz.

            Por isso, aqui ponho “Pequenas Histórias do Oriente”. Não as li em livros. Meu pai – brasileiro nascido no Líbano, ou libanês que viveu toda a vida no Brasil – contava-me sempre muitas das pequenas histórias que, quando criança, ouvira no distante Oriente. Aqui postas, têm elas, por isso, a característica analógica de que foram diretamente “traduzidas do árabe”…